De volta ao primeiro amor

Apocalipse 2.1-7 apresenta uma palavra de Jesus para uma igreja que não havia abandonado a fé nem deixado de funcionar. Éfeso continuava trabalhando, perseverando e demonstrando discernimento espiritual. Jesus reconhece suas obras, seu trabalho e sua perseverança. Isso torna a advertência ainda mais séria: podemos continuar fazendo muitas coisas certas e, ainda assim, permitir que algo essencial se perca no relacionamento com Cristo. O primeiro amor não deve ser entendido apenas como a emoção experimentada no começo da caminhada cristã. Trata-se de primazia: Cristo ocupando o primeiro lugar. O problema de Éfeso não era ausência de atividade, mas a perda da centralidade de Jesus em meio à própria atividade.

É possível trabalhar para Cristo e perder a alegria de estar com Ele — Esse é um dos perigos mais sutis da vida cristã. Podemos servir, participar, liderar, defender a verdade e manter uma agenda espiritual ativa enquanto o coração, silenciosamente, se distancia daquele para quem fazemos todas essas coisas. A igreja de Éfeso ainda possuía qualidades que o próprio Jesus reconheceu. Antes da correção, Cristo reconhece aquilo que a graça ainda estava produzindo nela. Porém, nenhuma quantidade de trabalho poderia substituir o lugar que pertencia a Ele. A atividade cristã nunca poderá compensar a ausência de intimidade. O que fazemos para Jesus precisa continuar nascendo daquilo que vivemos com Jesus.

A graça nos chama de volta — Jesus apresenta uma sequência poderosa: “lembra-te”, “arrepende-te” e “volta” (Apocalipse 2.5). Lembrar-se de onde caiu significa perceber a distância entre aquilo que o relacionamento com Deus já foi e aquilo em que se transformou. Arrepender-se significa mudança de mente, direção e postura. Jesus não está simplesmente pedindo que a igreja volte a sentir alguma coisa; está chamando-a a reposicionar-se. Depois, Ele ordena que volte à prática das primeiras obras. As obras não produzem a graça, mas a graça restaurada volta a produzir obras que correspondem ao amor. O caminho de volta começa quando reconhecemos que Cristo precisa novamente ocupar o lugar que sempre pertenceu a Ele.

A centralidade de Cristo define quem somos — Jesus adverte que, se não houvesse arrependimento, removeria o candeeiro. Apocalipse 1.20 explica que os candeeiros representam as igrejas. Portanto, a advertência toca na própria identidade daquela comunidade. Uma igreja pode conservar estrutura, programação e atividade, mas sua verdadeira identidade está vinculada à presença e à centralidade de Cristo. Podemos defender a verdade de Cristo e diminuir nossa afeição por Cristo. Podemos manter a agenda da igreja e perder a centralidade daquele que é o Senhor da igreja. Por isso, voltar ao primeiro amor é mais do que recuperar sentimentos: é devolver a Jesus a primazia sobre nosso coração, nossas escolhas, nosso serviço e nossa vida.

Conclusão: Talvez um dos convites mais difíceis seja voltar para um lugar onde nunca estivemos verdadeiramente. Alguns precisam retornar à centralidade que perderam; outros precisam descobrir uma intimidade com Cristo que nunca experimentaram, apesar de anos de atividade cristã. O chamado de Jesus permanece aberto: lembre-se, arrependa-se e volte. Antes de perguntar quanto estamos fazendo para Cristo, precisamos perguntar qual lugar Cristo ocupa em nós.

Compartilhamento: Em quais áreas da sua vida a atividade cristã pode ter ocupado o espaço da intimidade com Cristo? O que você precisa reposicionar hoje para que Jesus volte a ocupar a primaz

Dinâmica para esta lição: O que está enchendo seu coração?

Escrito por: 

Adeneir Sousa - Pastor da Igreja Ammigo em Senador Canedo. CEO do projeto Ammigo Kids - Ministério com crianças.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *