Um coração sem intimidade com Deus se torna um lugar perigoso. Ele passa a ser fonte de distorções, ressentimentos e malícia. Quando o relacionamento com Deus é deixado de lado, a alma adoece silenciosamente, e o que antes era sensível se torna ofensivo, defensivo e corrompido.
Deus não se relaciona com palavras vazias. O homem pode até falar coisas corretas ou ter uma oração bonita e bem colocada, bom discurso, justificativas, mas Deus não se relaciona com palavras bem construídas; Ele olha para o que está dentro. Foi assim quando o Senhor rejeitou os irmãos de Davi e escolheu o mais improvável para reinar, porque o critério do céu é o coração (1 Samuel 16.7).
Jesus também respondia aos corações e não às falas. Quando Pedro tentou impedir Jesus de ir à cruz, parecia apenas um cuidado humano, mas Jesus enxergou a real motivação e então respondeu com dureza: “Arreda, Satanás”. As palavras de Pedro não eram o problema, mas aquilo que as motivava (Mateus 16.23). Liderar, discipular e ensinar exige olhos e ouvidos treinados no Espírito para discernir o que se passa dentro das pessoas, não apenas o que elas dizem. Corações negativos produzem palavras negativas.
A intimidade com Deus gera transformação interior. Um coração tratado se torna santo, sensível e puro. Mas, quando essa intimidade falta, até a própria pessoa se engana com o que sente ou até mesmo com o que vê (Jeremias 17.9-10). A verdade é que nem toda fala revela quem a pessoa é, mas o coração revela tudo o que ela tenta esconder. Assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos de verdade.
Os espias da Terra Prometida contemplaram a mesma realidade, mas reagiram de formas diferentes. A lente do coração contaminado viu gigantes grandíssimos e muros intransponíveis, gerando a ideia do caos (Números 13.32-33); a lente da fé enxergou a fidelidade de Deus e a possibilidade de posse de Suas promessas (Números 14.6-9). O problema não estava na terra, mas no estado do coração de quem a observava. Hoje, o mundo está cheio de vozes manipuladoras e gente que quer vender a fé, e os corações imaturos são os alvos preferidos das mentiras de Satanás.
Conclusão: Precisamos aprender com a natureza de Deus, pois Ele sabe que “atos falam mais do que palavras” e que “a vida fala mais do que discursos.” A oração de quem ama a Deus é como a de Davi: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Salmos 141:3) e “Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a Ti, Senhor” (Salmos 19.4). Pois é do coração que procedem os maus pensamentos e as atitudes mais destrutivas (Mateus 15.19). Mas também é do coração que pode jorrar o bem, quando ele é cheio do Espírito. Um coração inflamado por Deus não fala de si mesmo, fala do Rei. Esse é o clamor de quem vive na presença (Salmos 45:1).
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Você tem respondido a Deus com palavras bonitas ou com um coração sincero?
O que o seu coração tem refletido sobre sua intimidade com Deus?
Que áreas ainda precisam ser tratadas para que sua vida fale mais do que sua boca?
